GalGun – O exclusivo que abandonou o Xbox

Nascida em 2011 sob a tutela da Inti Creates, o título surgiu originalmente como uma tentativa ousada de dar ao Xbox 360 uma identidade mais japonesa, em um esforço da Microsoft para conquistar o público oriental. O que ninguém esperava é que, anos depois, a mesma Microsoft se tornaria a barreira que impediria o retorno da franquia às suas origens.

GalGun se destaca por inverter a lógica dos tradicionais “rail shooters”. Em vez de cenários apocalípticos, o jogador controla Tenzou, um jovem que se torna o alvo de desejo de toda a escola após um acidente com flechas de cupido. A mecânica de tiro serve a um propósito cômico: afastar as garotas apaixonadas com “disparos de feromônio” para que o protagonista encontre seu par ideal antes do pôr do sol. É uma obra que mergulha sem filtros nos tropos dos animes ecchi, com um humor surrealista que se tornou sua marca registrada.

Com o passar do tempo, a franquia encontrou seu verdadeiro porto seguro na Steam. No PC, a liberdade da plataforma permitiu que títulos como GalGun: Double Peace* e GalGun 2* florescessem sem os cortes que costumam assombrar jogos de nicho. Foi essa recepção calorosa que motivou a criação de GalGun Returns*, uma remasterização do clássico de 2011 que prometia modernizar a experiência original.

No entanto, o projeto de levar Returns para o Xbox One esbarrou em uma mudança drástica de filosofia. Durante a certificação, a Microsoft impôs exigências de censura que descaracterizariam a obra. O impasse foi tão profundo que a Inti Creates tomou uma decisão drástica: com o desenvolvimento 100% concluído, a empresa cancelou a versão de Xbox para não comprometer a integridade da sua visão artística. Enquanto o Nintendo Switch e o PC receberam o jogo intacto, os usuários de Xbox foram deixados de lado pela própria fabricante que um dia acolheu a série.

A Inti Creates em 2026: Maturidade e Novos Rumos

Hoje, em 2026, a Inti Creates vive um momento de consolidação como uma das gigantes do desenvolvimento japonês independente. A empresa não apenas manteve sua independência criativa, mas expandiu seu portfólio para além do humor de GalGun*. Atualmente, o estúdio celebra seus 30 anos de história com lançamentos de peso, como o recém-lançado Kingdom’s Return: Time-Eating Fruit and the Ancient Monster, que explora mecânicas de mundo semi-aberto no Nintendo Switch e no novo Switch 2.

A empresa também demonstra uma adaptação ágil às novas tecnologias, com versões aprimoradas de sucessos recentes como Card-en-Ciel chegando aos novos hardwares este ano, focando em alta performance e resoluções que antes eram exclusivas do PC. O episódio da censura de GalGun* parece ter deixado uma lição clara para a desenvolvedora: a prioridade agora são plataformas que respeitam a estética e o conteúdo original de suas obras, provando que existe um mercado global vibrante para jogos que se atrevem a ser, acima de tudo, autênticos.

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